Cinco ‘dicas estranhas’ para adquirir fluência em japonês

Estudar um idioma é uma arte e você pode fazer mais do que imagina sem sair de casa

Photo by Siora Photography on Unsplash

Eu não adquiri fluência em japonês da noite para o dia. Foi um processo longo e trabalhoso que envolveu muitas aulas, estudo, dedicação e umas estratégias pouco convencionais.

Comecei a estudar japonês no Brasil, em 2007 e como todos os meus colegas na época em que entrei em um curso (ainda estava no ensino médio), tinha muita dificuldade.

É não é para menos, japonês é um idioma complexo, com três tipos de escrita, sendo os ideogramas (kanjis) um tanto assustadores. A ideia de memorizar mais de dois mil ideogramas é absurda o suficiente para que muitas pessoas desistam de estudar.

Porém, japonês não é um bicho de sete cabeças. E depois que você aprende de verdade, é gratificante poder conversar com japoneses, assistir programas de TV, ver filmes, novelas sem legenda e ler notícias, que é um dos meus passatempos preferidos atualmente.

Até hoje ouço de um amigo que começou a estudar japonês comigo que eu era uma das piores da sala no começo, mas depois evolui tão rápido que consegui surpreender todo mundo.

Em pouco tempo eu estava simplesmente falando. Se você estuda algum tempo, entende um pouco, lê um pouco, mas tem dificuldade em se expressar na língua, sabe que não é fácil.

Acho que evolui rapidamente por causa dessas estratégias estranhas que utilizei e que depois me ajudaram a aprender inglês em um curto espaço de tempo. São essas estratégias que eu quero compartilhar, vamos lá!

1. FALE SOZINHO

Photo by Melany Rochester on Unsplash

Não tenha medo de parecer louco. Fale sozinho, fale com o seu urso de pelúcia, fale com as paredes.

A pior fase de um estudante de idioma é aquela em que ele não consegue se expressar por ter vergonha de falar na língua que está estudando.

Você não sabe muito, se tentar falar sabe que vai cometer erros grotescos e a sua pronúncia vai soar horrorosa. Por medo do que os outros vão pensar disto, você acaba travando sempre que tem uma oportunidade de praticar.

Comigo funcionou muito bem. Na medida em que você se esforça para formular frases e falar, você começa a se soltar um pouco mais e vai perdendo o medo aos poucos.

Ótimo. Mas o que eu devo contar para as paredes do meu quarto?

Não há limites! Comece se apresentando a Sra. Parede, depois diga como foi o seu dia. O que você fez na semana passada, o que fará na próxima semana. Fale de acordo com a sua capacidade atual e se precisar, pesquise o vocabulário de que precisa. É fácil!

2. PENSE EM JAPONÊS

Se você pode falar, você pode pensar não é mesmo? Penso, logo existo. Penso, logo falo japonês.

Photo by 胡 卓亨 on Unsplash

Na época em que eu evolui de um verdadeiro desastre no estudo para uma promissora falante do idioma, eu me dei conta de que o que mais me ajudou foi isso mesmo: tentar pensar em japonês.

Eu tinha tanta sede de aprender que ficava frustada. Lembro de deitar a cabeça no travesseiro antes de dormir e tentar formular uma frase na minha cabeça, mas não conseguir por não ter aprendido ainda aquela gramática específica.

E eu ficava tão frustrada que queria aprender mais rápido do que era capaz de assimilar.

Aos poucos, pensar em japonês se tornou um passatempo gostoso. Primeiro eu pensava em português, depois pensava em como dizer aquela frase em japonês. Assim eu ia utilizando as regras gramaticais que já tinha aprendido e as vezes pesquisava coisas que queria dizer e ainda não tinha condições.

Quando me dei conta, estava tagarelando nos meus pensamentos e acho que nunca mais parei. Depois que comecei a estudar inglês nos últimos anos, utilizei a mesma tática de pensar e falar sozinha.

Hoje os meus pensamentos são um misto de português, japonês e inglês.

Eu costumo falar enquanto durmo e o meu namorado (que é sueco) gosta de comentar sobre isso. Quando perguntei em que língua eu falo dormindo, ele me fez rir da resposta. “As vezes português, as vezes inglês, as vezes japonês”.

Pensar no idioma que está aprendendo é um exercício simples e poderoso ao mesmo tempo. Você pratica e não sente vergonha alguma. É um compromisso seu consigo mesmo. Vale a pena tentar!

3. ESTUDE E SE DIVIRTA

Photo by Emma Matthews Digital Content Production

Se você está começando, eu recomendo que procure um curso, seja online ou presencial.

Admiro muito quem consegue estudar um idioma do zero até a fluência sozinho, mas isso exige muita disciplina e força de vontade e nem todo mundo tem facilidade para aprender desse jeito.

Se você for esse tipo de pessoa, vá em frente! Mas se não for o caso, o melhor é procurar um curso e aprender pelo menos o básico com a ajuda de um professor.

Enquanto estiver estudando, procure aprender mais por conta própria e de maneira divertida.

No meu caso, sempre gostei muito dos ‘doramas’ (novelas japonesas). Na época em que estudava, gostava de assistir em japonês com legenda em japonês, mesmo sem ter total compreensão.

Você consegue captar muita coisa da história e acompanhar, mesmo que não entenda tudo.

Mas o mais importante desse processo é o estudo de vocabulário. Cada episódio que eu assistia eu montava uma lista de vocábulos novos e depois recorria aos flash cards para treinar. Deixo como dica o anki, um programa excelente com essa finalidade.

Graças a esse processo de estudo, aprendi muitas palavras comuns no dia a dia do Japão. O que me ajudou muito quando eu finalmente me mudei para as terras nipônicas e chegou a hora de me virar sozinha com o que eu tinha.

4. PRATIQUE ONLINE

Se você mora no Japão, talvez não precise recorrer a internet para praticar japonês. Porém, se você mora no Japão e tem vergonha de se expressar no idioma, ainda acho que essa é a forma mais tranquila de começar.

Photo by Mathilde LMD on Unsplash

Se você mora no Brasil ou em outro país e tem pouca oportunidade de conhecer japoneses, como era o meu caso quando eu estudava, acredito que é uma tática muito válida.

No meu caso, eu comecei com um joguinho online (Ameba Pigg) que logo se tornou um vício e uma fonte de amigos japoneses.

Talvez tenham jogos melhores hoje, mas vou falar um pouco desse que foi fundamental ao meu aprendizado. É um jogo que você tem um personagem e frequenta salas animadas, onde pode conversar com pessoas que possuem seus próprios personagens. Os diálogos saem por “balõezinhos”.

Em pouco tempo, eu fiz um grupo de amigos formado por algumas brasileiras e alguns japoneses. Logo saímos do ‘pigu’ para o Skype, passávamos horas interagindo, brincando, passeando pelas salas do jogo.

Se esse tipo de jogo não é a sua cara, procure sites de interação com estrangeiros, outras pessoas que estão estudando idiomas. Uma plataforma que eu usava muito é italki, que permite conhecer outros estudantes e interagir com nativos da língua.

Use a criatividade e procure formas de praticar, seja por mensagens de texto ou por chamadas de vídeo. Em tempos de quarentena, esses recursos se tornaram ainda mais valiosos ao estudo, aproveite!

5. TREINE TODAS AS HABILIDADES

Para mim o estudo de um idioma se resume em praticar e melhorar as quatro habilidades: fala, escuta, leitura e escrita.

Photo by Damon Lam on Unsplash

Claro, talvez você não tenha condições de pegar um jornal em japonês e tentar ler no momento.

Mas é possível utilizar os recursos da internet para buscar por material de fácil compreensão, como livros infantis, escritos para estudantes de japonês ou para crianças japonesas.

Certifique-se de que, na sua rotina de estudos, há o momento de tentar ler, tentar escrever, tentar falar (mesmo que sozinho) e tentar ouvir.

Quando for ler, aproveite para consultar dicionários, fazer listas de vocabulários. Quando for ouvir, tente desde vídeos muito simples até diálogos mais longos, dependendo do seu nível de estudo.

Quando falar, tente sozinho ou com algum amigo japonês, se já tiver passado da fase da vergonha, é claro!

O importante é manter essas habilidades evoluindo dia após dia e depois de algum tempo você estará mais confiante e mais motivado até finalmente perceber que já está fluente.

Quer fazer um intercambio no Japão? Entre em contato, também tenho dicas para dar!

Quer acompanhar mais conteúdo sobre o Japão? Siga a página Japão sem Tarjas.

Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

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