Jovem vende jujubas para arrecadar dinheiro de intercâmbio “Meu sonho é cursar medicina no Japão”

Victor em seu primeiro dia vendendo jujubas na feira em Brasília

Victor Gomes Adorno, de 17 anos, está determinado a realizar o sonho de estudar no Japão.

Estudante de ensino médio e morador de Brasília, o adolescente entrou em contato com a empresa de intercâmbio Living Japan na última semana e não se intimidou com os altos custos do programade dois anos, que podem chegar a quase R$ 40 mil pela alta do dólar.

Na última semana, o jovem iniciou uma campanha de arrecadação de fundos pelo site “Vakinha” e está tentando reunir os R$ 7 mil iniciais de que precisa para pagar a assessoria da empresa, tradução de documentos e visto. “Eu pretendo ir em outubro do ano que vem, tenho até lá para conseguir o resto do dinheiro”, conta.

Além da Vakinha, Victor pretende arrecadar a quantia necessária vendendo jujubas na feira e no sinal.

“Eu comecei a vender as jujubas na feira neste sábado. Foi o meu primeiro dia. Eu tenho um bico, faço geladinho gourmet para vender também e hoje aproveitei para vender as minhas jujubas”, relata.

Apaixonado pelo Japão desde criança, Victor diz que pretende vir ao país para realizar os dois sonhos de sua vida.

“Eu sempre quis ser médico desde pequeno e também sempre quis ir ao Japão, é um país incrível. Eu sei que é muito difícil, mas o meu sonho mesmo é ser capaz de cursar medicina no Japão”, revela.

PAIXÃO ORIENTAL

Victor em viagem para o Beto Carrero World em Santa Catarina

Em entrevista ao Japão sem Tarjas, Victor contou que gosta do país oriental desde os 9 anos de idade, por influência das animações japonesas.

Interessado na cultura, ele começou a pesquisar mais e passou a acompanhar canais sobre a vida no Japão, como o Japão Nosso de Cada Dia, que foi onde conheceu o programa de intercâmbio.

“O Japão sempre foi um exemplo para mim. Uma das coisas que mais admiro é o quanto eles são honestos. É um país que você pode montar uma barraquinha de frutas na estrada e deixar lá, sem ninguém atendendo, só com uma caixinha de dinheiro e ninguém rouba nada”.

O estudante ainda não sabe falar japonês, mas está determinado a começar os estudos antes de ir. Sua meta é passar no nível 1 do exame de proficiência em língua japonesa depois de pelo menos um ano e meio morando no país.

“A pandemia está acabando com o meu último ano de escola, mas pelo menos estou com tempo para começar a estudar em casa e também para trabalhar e arrecadar o dinheiro que preciso para realizar esse sonho”, diz.

CURSO DE MEDICINA

Victor sabe que não será fácil realizar o sonho do intercâmbio e conseguir ser aceito em uma universidade japonesapara cursar medicina, mas ele está determinado a tentar até que não haja mais opções.

“Eu sempre tive o sonho de ser médico e acho que o Brasil carece muito de médicos. Os hospitais públicos brasileiros são um desastre. Eu quero intercalar esse sonho ao sonho de ir ao Japão. Acho que o país tem muito a me oferecer. Eu quero me tornar médico no Japão e poder trazer isso ao Brasil”, diz.

E depois que finalmente concluir o curso, Victor pensa em tentar fazer a diferença atuando na profissão.

“A maior vontade que eu tenho é de poder mudar o sistema de saúde brasileiro. Gostaria de mudar o jeito que a medicina no Brasil é, de transformar a medicina no Brasil como algo referencial. Acho inadmissível nos hospitais públicos você ver gente morrendo na fila de espera por um atendimento”.

Desde que embarcou em sua campanha de arrecadação de fundos na última semana, Victor conta que já foi desmotivado por várias pessoas.

“Eu compartilhei em muitos grupos a minha Vakinha e também recebi muitas críticas, gente tentando diminuir o meu sonho. Eu tenho noção do quanto é difícil, mas quanto mais tentam me desmotivar, mais eu quero fazer”, explica.

Na prática, ele pretende fazer o intercâmbio de um ano e meio ou dois anos (depende da época em que for viajar) e arrumar um trabalho de meio período durante este tempo, para ajudar a pagar as despesas da vida no Japão.

Depois de passar em um dos níveis mais altos da proficiência em japonês, o jovem pretende estudar para o Eju (exame para admissão em universidade japonesa) e conseguir ficar mais tempo no país, cursando medicina.

“Posso tentar uma bolsa de estudos, mas talvez eu precise do apoio da minha família neste momento. Graças a deus não passamos necessidade. Moro em um bairro médio em Brasília, mas minha família não tem R$ 40 mil para realizar o meu sonho. Por isto estou contando com o meu trabalho e a Vakinha para pagar a viagem”.

Sobre a possibilidade de vir ao Japão com uma bolsa de estudos do governo, Victor acredita que é mais complicado.

“Acho o sistema de bolsas muito rígido, é preciso ter notas muito altas para ser capaz de conseguir uma. Eu achei esse caminho mais viável, pois os requisitos é ter 18 anos, ter terminado o ensino médio e fazer um curso de japonês de 150 horas”, explica.

FAMÍLIA E TRABALHO

Foto que Victor usou para divulgar a campanha nas redes sociais

Um sonho tão complexo exige apoio familiar e Victor conta que os pais estão apoiando, embora tenham dificuldade em acreditar que tudo sairá como o planejado.

“Eu só tenho que agradecer a minha família. Meus pais me apoiaram. Eles acharam loucura a Vakinha e me puxaram para pensar no que eu estou fazendo, mas eles estão torcendo por mim”.

Victor completa 18 anos em março do ano que vem e até setembro de 2021, pretende conseguir todo o dinheiro de que precisa, com a ajuda da Vakinha e também com o seu trabalho. Um de seus projetos é vender jujuba no sinal e aproveitar a oportunidade para divulgar a campanha.

“Eu quero pegar duas jujubas, vou grampear e imprimir vários papeis explicando a minha causa, que eu quero fazer intercâmbio no Japão e pedindo ajuda. Vou colocar o valor de R$ 2,00, que é o que eu cobro e mais o QR Code da Vakinha, para que mais pessoas possam colaborar”, explicou.

Se conseguisse o dinheiro antes, ele poderia embarcar na viagem em abril do próximo ano.

“Eu acho muito difícil conseguir esse dinheiro até lá, fiz as contas de que precisaria de pelo menos R$ 3,5 mil por mês. Eu coloquei a meta de R$ 40 mil na Vakinha, mas acho difícil as pessoas doarem tudo isso. Por enquanto preciso mesmo de R$ 7 mil, que é o dinheiro para iniciar o processo de inscrição”.

E apesar dos poucos dias de Vakinha, o estudante está contente com o resultado. “Já recebi doação de R$ 500,00. No momento tenho cerca de R$ 1,2 mil e estou confiante de que vou conseguir o dinheiro”, completa.

Confira a Vakinha para ajudar o Victor e curta a página Japão sem Tarjas para acompanhar novas matérias

(Matéria publicada 5 de julho de 2020)

Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

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