“Eu sustento a casa, queria que ela fosse grata”, diz japonês pego após trair a esposa

Portal Daily Shincho (imagem ilustrativa)

Yusuke Tominaga* é um japonês de 53 anos, casado desde os 30 anos. Ele vive em Tóquio com a esposa e os filhos e há quatro anos viaja para a região de Kansai, onde se encontra com Emiko*, uma ex-colega dos tempos colegiais.

A traição foi descoberta recentemente por Naomi*, esposa de Yusuke.

Em entrevista ao Portal Daily Shincho, ele contou o que diz ser seus reais sentimentos com relação ao casamento e confessou as duras palavras que jogou sobre a esposa durante a discussão sobre a amante:

“Eu sempre sustentei a casa e esta família se ergueu com o meu dinheiro. Você deveria ser mais grata”.

Veja os detalhes desta história, que mostra muito sobre um modelo familiar comum no Japão e como prevalece um conceito machista sobre matrimônio e a estrutura das relações entre casais.

História de um casamento

Yusuke casou aos 30 anos de idade. Na época, um colega de trabalho perguntou se ele não pretendia se casar e Yusuke foi sincero: “não tenho nem uma namorada”. O colega disse então que tinha alguém para apresentar, era uma parente da esposa dele.

Yusuke foi apresentado a Naomi e gostou do encontro. Ele disse que pensou que precisava mesmo de uma esposa e Naomi era a pessoa ideal.

“Há uma diferença entre a mulher que quero como esposa e a mulher que quero como namorada. Acho que para as mulheres rola o mesmo? A mulher que quero como esposa precisa cozinhar bem e ser capaz de cuidar da casa. Assim eu posso me concentrar apenas no trabalho. Quero, é claro, que seja dona de casa até que as crianças cresçam e a Naomi correspondia ao que eu tinha em mente”.

Um ano depois do casamento, nasceu a primeira filha do casal. Três anos depois, Naomi teve um menino. Agora, a filha está no quarto ano da faculdade e o filho no primeiro ano. Durante todos esses anos, Naomi se dedicou a cuidar dos filhos e da casa sem reclamações.

“Eu ajudava em casa quando eu tinha tempo, mas com o sentimento de estar apenas “ajudando” a Naomi. Porém, nossos filhos são muito importantes para mim, poderia dar a minha vida para protegê-los”, contou.

Depois dos 35 anos, Yusuke diz que passou a olhar para outras mulheres além da esposa.

“A vida em casa é cheia de tensões. As vezes é preciso brigar com as crianças e é cansativo desempenhar sempre o papel de chefe de casa. Eu queria um suspiro. As vezes saía com alguma conhecida, estreitava as relações. Não sei como dizer, queria ser apenas um homem”.

Quando o filho mais novo foi para a escola ginasial, Naomi passou a fazer trabalho de meio período. Aos poucos, ela aumentou a carga horária, fez novos amigos e passou a frequentar cursos por hobby.

“Ela é muito certinha, sempre me consultava quando queria estudar algo novo e eu nunca disse não. Então ela passou a se dedicar ao artesanato com vidro. Depois dos 40 anos, comecei a ter inveja da vivacidade dela, não me sentia feliz nem em casa e nem no trabalho”.

A traição

Photo by Takashi Watanabe on Unsplash

Quando era pequeno, Yusuke vivia trocando de escola por causa das transferências do trabalho do pai. Durante os três anos do ensino médio (koukou), viveu em uma cidade na região de Chugoku e nesta época, gostava de uma colega chamada Emiko*.

Depois da formatura, o pai foi novamente transferido e Yusuke foi para uma universidade em Tóquio.

“Há cinco anos, fui convidado para um encontro da turma. Eu nunca participei desses encontros, mas desta vez senti que queria ir. Nesta época, eu fazia muitas viagens de trabalho para Kansai e vi que poderia participar”, explicou.

Yusuke reencontrou Emiko no evento, depois de mais de 30 anos sem contato. Soube que ela estava morando em Kansai, que foi trabalhar logo depois da formatura e se casou aos 20 anos. Emiko teve um filho, se separou e casou de novo. Teve mais um filho no novo casamento.

“Ela começou um negócio sozinha e fez a vida bravamente. Ela disse que não podia contar com o marido e eu senti um aperto no peito. Misturei a Emiko de agora com aquela que eu conheci no passado, senti uma atração muito forte por ela, lembrei que eu gostava dela”.

Yusuke passou a contatar Emiko sempre que tinha uma viagem de trabalho para Kansai. 

“Ela vivia com um marido dez anos mais velho, um filho de 20 anos e cuidava da mãe idosa. Ela trabalhava e era muito ocupada, mas sempre tirava um tempo para mim. Sempre que nos víamos, relembrávamos as coisas da escola e era como se voltasse a ser um adolescente”.

Oito meses depois, Yusuke decidiu passar o próprio aniversário em Kansai. Ele disse para a esposa que teria uma viagem de trabalho, mas era mentira. Yusuke planejou usar a data de aniversário para avançar na relação com Emiko e então viajou sozinho, pagando do bolso os custos de transporte e hotel.

Assim que se encontrou com Emiko, Yusuke fez uma declaração:

“A vida é curta e não sabemos o que vai acontecer com a gente amanhã. Eu não posso mais ficar longe de você”.

Como resposta, ouviu Emiko dizer que não queria uma traição.

“Eu disse para ela não falar algo tão óbvio, disse que não importava a hora, só queria que ela viesse. Entreguei um bilhete a ela com o nome do hotel e número do quarto e voltei ao hotel mais cedo”.

Mais ou menos uma hora depois, Emiko apareceu no quarto do hotel.

“Quando abri a porta e a vi, tive vontade de chorar. Eu a abracei com muita intensidade e senti que ela tinha a mesma paixão por mim. Ela me disse assim, ‘nós estamos com toda essa idade e agora, vou me envolver com você, Yuchan…’. Era como ela me chamava na época da escola”.

A descoberta

Photo by Ashley Byrd on Unsplash

Quando Yusuke se acostumou com as idas e vindas, a relação com a esposa e os filhos e os encontros proibidos com Emiko, acabou surpreendido pela esposa em uma noite.

“Ela me disse para não fazer nada vergonhoso. O rosto dela naquele momento me assustou. Então ela disse que eu estava me aventurando com uma ex-colega em Quioto. Na semana anterior, eu e Emiko passamos uma noite em Quioto e fomos vistos por alguém”.

Assim que foi informada da traição, Naomi passou a investigar. Olhou o computador que o marido usava e descobriu as reservas de hotéis.

“Por mais que sejamos casados, isto não se faz. Eu disse para ela que temos a nossa privacidade. Ela disse que a privacidade não me dava o direito de ter uma relação com outra mulher. Não parecia mais a Naomi que eu conheço, a esposa confiável que nunca enfrenta o marido”, disse.

Yusuke conta que, no calor do momento, disse para a esposa o que estava sentindo.

“Eu disse que a nossa família se construiu a base do meu sustento. Isto é o que eu realmente penso. Eles viveram a base do meu trabalho suado todos esses anos, gostaria que ela fosse mais grata. Sei que trair é outra situação, mas não precisava desconfiar e sair pesquisando propositalmente. Eu não tinha intenção de destruir a nossa família”.

A esposa não aceitou as justificativas e ele logo pediu desculpas, mas Naomi apenas suspirou pesado diante da situação.

“Senti que só conseguia ser eu mesmo quando estava com a Emiko. Eu gostaria de restaurar a minha situação com a família, mas não consigo nem pensar mais sobre o que fazer”, desabafou.

Mesmo com o afastamento familiar e os erros, a vida segue. Mesmo que fique em casa nos fins de semana, Yusuke agora quase não vê a esposa e os filhos. Ele passa longas horas sozinho, refletindo e buscando consolo em um gato que o filho juntou da rua.

*Os nomes são fictícios

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Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

2 pensamentos

  1. O Japão sem rótulos !
    Muitas situações irreconhecíveis pela sociedade que fazem vistas grossas
    Horrível!! Se eu tivesse esse conhecimento teria uma outra visão desse país !

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  2. Saudações, os japoneses são um povo que tem uma cultura milenar , são muito sectários e tem um modo de viver pessoal totalmente deles. Já fui empregado de japones e pude constatar que o modo de vida dos japoneses foi desenvolvido por eles, é o ideal para eles e se os japoneses não fosse di jeito que são o Japão não existiria.A maneira deles viverem é a única maneira ideal para eles.

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