Blogueira conta experiências com o ex abusivo: “nossa filha podia ter síndrome de down e ele mandou abortar”

Conhecida como “Mochimama”, blogueira japonesa compartilha histórias no Instagram e tenta alertar outras mulheres sobre relacionamentos abusivos.

Imagens Unsplash (ilustrativa)

A blogueira japonesa “Mochimama” sofreu durante anos com um casamento infeliz, até decidir pelo divórcio e ir embora de casa com as duas filhas, que hoje tem 8 e 10 anos de idade. O marido, chamado de “Akira”, era um homem abusivo, que cometia assédio moral e ignorava as crianças.

Depois do divórcio, a blogueira, que gerencia a página @mochimama129 no Instagram, passou a divulgar episódios pessoais de assédio moral e histórias de outras mulheres, para ajudar a gerar consciência sobre os relacionamentos abusivos.

Em entrevista ao Oricon News, ela não quis se identificar, mas contou histórias marcantes da vida com o ex-marido.

Ela lembrou vez em que Akira pediu que abortasse durante a gestação da segunda filha, pois havia uma suspeita de síndrome de down.

“Acredito que há outras mulheres passando pelo o que eu passei e elas sofrem sem saber que se trata de assédio moral. Elas perdem autoestima e o sentimento de autoaprovação e depois é difícil de recuperar. Quero que elas saibam que não são culpadas de nada”.

Vida em família

Mangá publicado no Instagram @mochimama123 conta episódios de sofrimento em um relacionamento abusivo

“Mochimama” é mãe solteira de duas meninas. Quando ainda estava casada, ouvia constantemente do marido que tudo que ela fazia era ruim, que as coisas ruins que aconteciam eram culpa dela.

Ela contou um pouco sobre como as crianças reagiam aos atritos do casal.

“Era difícil brigarmos na frente das crianças, mas lembro de um episódio marcante. Quando estávamos próximos da separação, tivemos uma briga grande na frente da minha filha mais velha. Ela começou a fazer gracinhas, tentando fazer a gente rir, mas caiu, machucou a cabeça e começou a chorar. Ele disse que era culpa minha”, relembra.

Akira agia com agressividade e não participava da criação das filhas, era comum que ignorasse por completo a presença das crianças.

“Ele não se envolvia com as crianças e por isto não acontecia de ser violento com elas. Uma vez a nossa filha estava chorando de fome e ele foi preparar a comida dele, eu achei que ia preparar para ela. Ele simplesmente pegou o prato dele e sentou do lado dela e começou a comer sozinho”, conta.

Neste dia, “Mochimama” estava arrumando o quarto e organizando os pertences que as crianças levavam para a creche e achou que o marido iria preparar a refeição da menina junto com a dele.

“Eu realmente achei isso e quando vi que ele comia sozinho, eu critiquei e ele me xingou, disse que eu devia preparar a comida dele”.

Assédio moral na gravidez

A gestação das filhas não foi fácil pela falta de apoio do marido e pelo comportamento agressivo e os episódios de assédio moral. 

Além da vez em que ele pediu o aborto, “Mochimama” conta que ficou chocada com uma declaração de Akira semanas antes da filha nascer:

“Estamos gastando muito dinheiro, quando a gente envelhecer, ela tem que cuidar muito bem de nós”.

Ela disse que ficou triste ao ouvir isto, a filha ainda estava para nascer. “Eu fiquei sem palavras”.

Controle financeiro

Akira também controlava as finanças da esposa, que tinha que depositar para ele todo o dinheiro que ganhava trabalhando. 

“Se ele não concordasse, eu não podia nem comprar roupas para as crianças que estavam crescendo. Só que ele comprava o que quisesse para ele, incluindo coisas caras e dizia que precisava para o trabalho. Eu achava aquilo estranho, mas não tinha coragem de dizer nada. Agora eu penso o quanto eu aguentei sozinha”, revela.

Depois da separação, ela levou as filhas para a casa dos pais, mas estava fragilizada e emocionalmente abalada.

“Eu chorava enquanto conversava sobre qualquer assunto com meus pais e meus irmãos. Minha filha de dois anos me dizia para não chorar. Ela se atrapalhava ainda com as palavras e perguntava se eu estava triste. Sentia que ela estava me encorajando”, revelou.

Siga a página Japão sem Tarjas no Facebook e Instagram (@japaosemtarjas) e acompanhe novas publicações.

Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s