Imigração decide dar punição branda para 4 funcionários por morte de cingalesa detida em Nagoya

Um diretor, um supervisor e dois chefes de guardas receberam advertências por tratamento inadequado. Punição não envolve demissão, suspensão ou perda salarial

Wishma Sandamali estava presa desde agosto de 2020 por ter vencido o visto de residência. Foto: Fuji TV.

Nagoya – Meses após a morte da cingalesa Wishma Sandamali, de 33 anos, no Centro de Detenção da Imigração de Nagoya (Aichi), o órgão começou a tomar providências. No entanto, não parece disposto a efetivar medidas rigorosas para evitar tragédias futuras.

Uma reportagem da emissora Fuji TV (veja aqui) informou que a Agência de Imigração do Japão decidiu punir com advertências quatro funcionários do Centro onde Wishma estava detida por não ter visto válido.

Um diretor, um supervisor e dois chefes dos guardas foram advertidos por não agir de forma adequada no caso. O diretor e o supervisor ganharam uma advertência chamada de “kunkoku” (訓告) e os chefes dos guardas receberam um “genju chui” (厳重注意), uma advertência ainda mais branda, em que são orientados sobre como devem agir no futuro.

Na escala de punições destinadas aos funcionários públicos que cometeram erros ou delitos, essas advertências são as mais leves possíveis e não mancham o histórico do servidor.

A próxima punição na escala seria uma advertência mais severa que implica em um registro no histórico. Acima estão as punições que envolvem redução salarial, suspensão do trabalho ou afastamento definitivo.

A Agência de Imigração do Japão deve divulgar um relatório sobre o caso e liberar imagens das câmeras de segurança durante o período de duas semanas antes da morte da cingalesa. Essas imagens serão fornecidas apenas para a família da vítima.

A história da cingalesa

Wishma foi detida em agosto de 2020 por ter permanecido no Japão após o vencimento do prazo de estadia. Em janeiro deste ano, ela começou a ter problemas de saúde como perda de peso e de apetite, além de episódios recorrentes de vômito.

A cingalesa chegou a fazer exames e recebeu um diagnóstico de refluxo gastroesofágico. Depois disso, tentou ganhar uma liberdade provisória para tratar do problema de saúde, mas o recurso foi negado. Wishma não conseguiu a internação de que precisava para uma terapia intravenosa e acabou vindo a óbito no centro de detenção, no mês de março.

O laudo médico dizia que ela deveria ser internada caso não fosse possível administrar os remédios, mas a orientação não foi seguida.

Em maio, as irmãs da vítima vieram do Sri Lanka ao Japão em busca de respostas. Um funeral foi realizado e a família visitou o Centro de Imigração de Nagoya para descobrir mais detalhes sobre as circunstâncias da morte.

De acordo com as irmãs, Wishma gostava muito do Japão e veio ao país em 2017 para estudar. 

*Leia mais sobre este caso: Família de estrangeira que morreu em Centro de Imigração está no Japão e busca por respostas.

*Siga a página Japão sem Tarjas (veja aqui) e acompanhe novas publicações.

Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

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