O desespero da brasileira que teve a entrada no Japão negada pelas mudanças repentinas: “depois de 4 horas conseguimos um visto especial”

Suzana Mitie (38) deveria entrar no Japão com o visto de junção familiar, mas quando passou pela Imigração de Haneda, foi informada de que o visto estava cancelado.

Fotos: Banco de Imagens Unsplash (imagens ilustrativas)

Depois de uma viagem de 30 horas de São Paulo a Tóquio, com escala em Frankfurt, na Alemanha, Suzana Mitie (38), que estava com o filho Gustavo (5), ansiava por descansar na quarentena e finalmente reencontrar o marido.

A brasileira estava com tudo certo para entrar no Japão por junção familiar. Conseguiu tirar a elegibilidade e o visto, comprou a passagem através de uma agência e estava com a viagem marcada para o dia 29 de novembro. No entanto, por causa das mudanças repentinas do governo japonês em decorrência da variante ômicron, a passagem acabou cancelada.

“Não tinha mais informações, então falamos com o consulado de São Paulo e no Japão e nos disseram que poderíamos embarcar. Então conseguimos remarcar para o dia 1° de dezembro e embarcamos sem problemas”, explicou.

A mãe e o filho enfrentaram um voo lotado até Frankfurt, na companha de Mel, a gata de estimação da família. Não houve problemas na escala e quando chegaram ao Japão, passaram pelos procedimentos comuns de formulários, aplicativos e exame.

Os problemas começaram quando a família tentou passou pelo guichê de controle de imigração.

“Primeiro vieram três agentes nos questionar sobre como foi o desembaque em Frankfurt, se não tínhamos saído ou coisa assim. Eu expliquei que não. Então comecei o processo de fazer o cartão de residência e vieram mais duas pessoas com um monte de papéis e perguntas”, contou.

Os funcionários queriam saber por que Suzana veio sozinha com o filho e por que não tinha desembarcado no mesmo aeroporto do marido. “Houve uma confusão porque o meu marido veio nessa mesma data ao Japão, mas há dois anos. Eu expliquei e eles continuaram dizendo que o meu marido tinha desembarcado no mesmo dia que a gente, mas em Narita e a gente em Haneda”, disse.

Foto que Suzana tirou da gatinha durante a viagem. (arquivo pessoal).

Apesar das dificuldades do idioma, Suzana conseguiu insistir e mostrar aos agentes que o marido havia vindo ao Japão dois anos antes na mesma data. Depois de esclarecer as dúvidas, a brasileira recebeu a notícia inesperada: as regras mudaram, o visto foi cancelado e a partir de 1° de dezembro, ela já não poderia mais ter embarcado ao Japão.

“Eu gritei e fui ladeira abaixo. Não conseguia respirar de tanto chorar. Meu filho veio correndo ver o que estava acontecendo e os dois funcionários se espantaram assustados com a minha reação”, relatou.

Jornada na sala da imigração

A situação era desesperadora. Suzana contou ao Japão sem Tarjas como se sentiu no momento em que tudo aconteceu.

“Eu só pensava que não queria ser deportada ou ficar presa na imigração. Quando me viram chorando, o comportamento mudou. Ficaram mais empáticos com a minha situação. O meu medo era ser deportada depois de tudo o que passei”, desabafou.

Assim que soube do visto cancelado, ela diz que não conseguia parar de chorar e o filho chorava e dizia que queria ver o pai. “Quando contei que não poderíamos ver o papai, o desespero dele foi grande. Uma desolação total se abateu. Eu cansada, fazia mais de 20 horas sem dormir, carregando peso e meus braços tremiam”.

Depois de se acalmar, a brasileira perguntou se não havia um jeito de entrar e se eles queriam conversar com o marido, que aguardava a família no salão de desembarque do aeroporto. Ela passou os dados do marido ao agente e aguardou que conversassem com ele.

“Foram quase 4 horas na sala da imigração, que pareceram uma eternidade. Pediram ao meu marido para comprar comida e bebida, mas quem disse que a gente tinha fome? O meu filho se recusava a comer”, explicou.

Naquela altura, Suzana já estava tentando negociar um encontro rápido com o marido, para que o filho pudesse ao menos vê-lo antes que retornassem ao Brasil. Felizmente, não foi necessário. Por volta das 21h, a brasileira foi informada de que havia recebido uma autorização especial de entrada.

“Eu chorava de alegria, agradecida a eles. Meu filho ficou tão feliz que quando sentou do meu lado, ele simplesmente desmaiou de cansaço. Um senhor da Imigração o segurou e colocou com todo o carinho no sofá, ele sorria para o Gu”, relembrou.

Apesar de toda a tensão e o tempo de espera, a história teve um final feliz. Mas, diante das circunstâncias da pandemia e as regras de imigração que sofrem alterações repentinas, não teria sido estranho se a família acabasse em um voo para retornar ao Brasil.

“As caras eram feias quando chegamos, depois eu vi muita compaixão pela nossa situação. Sei o quanto eles estavam se dedicando para a nossa entrada, pois na sala eu fui vendo pessoas entrando e uma por uma sendo obrigadas a voltar”, alertou.

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Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana Paula tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo "Por que você também não faz?", que realiza mutirões de limpeza em praias no Japão. Em outubro de 2020, publicou o seu primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado e está disponível na Amazon.

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