Artistas japoneses transformam lixo do mar em arte e tentam conscientizar: “enquanto existirem humanos, teremos este problema”

Artes foram produzidas com o lixo retirado do Mar Interior de Seto em Okayama e estiveram em exibição no mês passado.

Arte feita com lixo, do artista japonês Hideaki Shibata. Foto: FNN

Okayama – A arte é uma forma de fortalecer a consciência e trazer visibilidade para problemas que podem não estar recebendo a atenção que merecem.

É nisto que um grupo de artistas que decidiu transformar o lixo retirado do mar em arte acredita. No mês passado, uma exibição realizada na antiga sede dos bombeiros na cidade de Tamano (província de Okayama), reuniu o trabalho de cinco artistas japoneses de diferentes localidades.

Segundo uma reportagem da emissora Fuji TV, as artes foram confeccionadas com o lixo coletado no Mar Interior de Seto, no sul do Japão. Na abertura do evento, a fita de inauguração que foi cortada era, na verdade, uma rede de pesca que havia se tornado lixo no mar.

Os artistas passaram duas semanas na região coletando lixo para suas obras e repararam nas peculiaridades dos dejetos disponíveis no Mar Interior de Seto.

“Eu moro na província de Ishikawa e lá encontramos nas praias muito lixo que veio de outros países ou da atividade pesqueira. No mar desta região, chamou a atenção o fato de que havia muito lixo doméstico e coisas que parecem ter sido abandonadas lá, ilegalmente”, comentou Ayao, uma das artistas participantes.

Quem apareceu para conferir as artes, ficou bastante surpreso com a dimensão do lixo recolhido no mar.

“Eu estou vendo a enorme quantidade de lixo despejado no mar. Fico muito triste de ver essa situação”, comentou um visitante.

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A missão de espalhar consciência

Obras foram exibidas no mês passado em Okayama. Foto: FNN

Quem organizou a exibição foi o artista Hideaki Shibata, que faz esculturas incríveis com o lixo recolhido na natureza. Hideaki tem o projeto Yodogawa Technique, que iniciou depois de se mudar para Osaka em 2003. Na região, ele passou a coletar o lixo no Rio Yodogawa e a transformar os itens que encontrava em obras de arte.

Hideaki quer espalhar consciência e mostrar que podemos transformar coisas descartadas em itens de valor.

“Acredito que enquanto existirem humanos, este problema não vai acabar. Mas, podemos utilizar o lixo e dar um novo significado, fazer as pessoas pensarem no impacto que causamos ao meio-ambiente e a exibição é capaz de impulsionar essa reflexão”, disse.

O problema do lixo pode não acabar, mas é possível amenizar a situação ao banir o plástico descartável e estimular uma economia circular, em que os objetos são reaproveitados e não jogados fora.

Para isto, é necessário ainda que cada indivíduo fortaleça sua consciência e adote hábitos de consumo com menos impacto para a natureza. No Japão, temos o grupo “Por que você também não faz?”, que incentiva a comunidade brasileira a coletar o lixo abandonado em praias. Faça parte você também: veja aqui.

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Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo ambiental "Por que você também não faz?". Em outubro de 2020, publicou o primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado. Em 2022 publicou o segundo livro, "O Diário da Minha Vida Ingrata", uma fantasia criada a partir de uma história real.

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