O europeu que esqueceu mochila com notebook em trem e recuperou: “foi um milagre, por isso amo o Japão”

Artur Galata é da Letônia e youtuber. Ele veio ficar 3 meses no Japão depois de mais de 2 anos sem vir ao país e perdeu a mochila dias depois de chegar.

O Japão é conhecido pela impressionante honestidade de seu povo, que não costuma surrupiar pertences esquecidos nos espaços públicos. Há muitas histórias de quem deixou cair a carteira e horas depois, encontrou no mesmo lugar.

Há também estrangeiros que fizeram testes, deixando algo de valor na rua de propósito para ver se recuperava depois. E, surpreendentemente, os pertences são devolvidos em quase todas as ocasiões.

Mas uma coisa é deixar algo na rua para testar, outra coisa é perder de verdade uma mochila com os seus pertences mais caros e valiosos. Foi isto o que aconteceu com Artur Galata, natural da Letônia. Ele veio ao Japão depois de 2 anos e 5 meses fora do país, para ficar por três meses para questões de trabalho.

Artur desembarcou em Tóquio no dia 17 de abril. No dia 25 de manhã, pegou o trem com a mochila e a mala. Na mochila, carregava o passaporte, dinheiro e o notebook que usa para trabalhar.

“A minha mala é grande e estava pesada. Quando entrei no trem, decidi colocar a mochila no suporte para bagagens de cima, mas não estou acostumado a fazer isso. Na hora de descer, esqueci completamente e só fui perceber quando entrei em uma loja de conveniência”, relatou.

O jovem letão ficou nervoso. Ele foi rapidamente até o centro de achados e perdidos da estação, mas ninguém havia encontrado nada. A notícia da mochila veio horas mais tarde.

Alívio e “milagre” ao recuperar a mochila

Quando estava agitado e preocupado, Artur foi consolado por um amigo que disse que era raro alguém levar um objeto esquecido no Japão. O amigo aconselhou que o letão se acalmasse e aguardasse: “só esperar um pouco e vão avisar você de que foi encontrado”.

As palavras do amigo ajudaram a recuperar a calma: “Não é que eu tenha deixado de me preocupar, mas eu consegui ficar um pouco mais confiante”, disse.

E como em uma profecia, as palavras do amigo se concretizaram. Cerca de duas horas depois, ele recebeu a ligação dos achados e perdidos. O esquecimento ocorreu em um trem da linha Sotetsu em Kanagawa e ele foi até a estação principal de Yokohama, capital da província, para pegar a mochila de volta.

“Por acaso o funcionário que devolveu a mochila disse que conhecia o meu trabalho e era um fã. Ele me deu palavras de apoio e eu fiquei muito contente”, disse.

Artur tem um canal no Youtube chamado “Artur Showtime” (veja aqui) e tem forte atuação nas redes sociais, além de ser autor de um livro em japonês, chamado: “Vamos com o Artur! Japan, um país misterioso” (tradução livre, original: Artur to iku! Fushigi no kuni Japan).

Ele publicou no Twitter um dia depois do ocorrido, contou a história e mostrou sua alegria por ter recuperado e pela “sorte” de ter perdido a mochila no Japão. A publicação rendeu 63 mil reações e mais de 5,6 mil compartilhamentos. 

Nos comentários, muitos seguidores comemoraram com ele, contaram sobre suas próprias histórias de objetos esquecidos e recuperados ou das vezes em que encontraram uma carteira perdida e entregaram na polícia. O comportamento, na verdade, não tem nada de extraordinário. É só o correto a se fazer nesse tipo de situação, embora seja muito difícil de recuperar algo perdido em muitos outros países.

Em uma entrevista ao portal J-cast, Artur contou que já esqueceu suas coisas em uma episódio ocorrido na Índia, mas infelizmente não conseguiu recuperar.

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Autor: Ana Paula Ramos

Jornalista e escritora, Ana tem sete anos de experiência no Japão, atuando como repórter na comunidade brasileira e como freelancer. Ela é a fundadora do Japão sem Tarjas e criadora do grupo ambiental "Por que você também não faz?". Em outubro de 2020, publicou o primeiro livro, "O Oitavo Andar", um suspense que se passa na cidade de Gramado. Em 2022 publicou o segundo livro, "O Diário da Minha Vida Ingrata", uma fantasia criada a partir de uma história real.

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